quinta-feira, 8 de novembro de 2012

      A gestalt-terapia se insere no campo das psicoterapias humanistas, fazendo parte da chamada “terceira onda” das abordagens psicológicas surgidas nos anos 50. Com uma proposta inovadora, a teoria originada por Fritz Perls carrega consigo a máxima: “Não há nenhuma função do organismo que não seja essencialmente um processo de interação no organismo/ambiente”, Perls, Hefferline e Goodman [1951] (1997, p. 205). Com está preposição a Gestalt-terapia alcança um marco em sua maneira de ver e compreender as questões do humano, considerando-o em constante interação com o ambiente, fazendo coro com a teoria de campo de Kurt Lewin e com os pressupostos filosóficos existências-fenomenológicos, que embasam a abordagem gestáltica. Esta perspectiva integradora possibilita sair de uma perspectiva simplista e determinante da visão de homem e partir para uma forma mais complexa, atualmente corroborado pelos estudos do sociólogo Edgar Morin (2010; 2011) que refere-se ao conceito de complexo como algo que integra, não fragmenta, não compartimenta e ao mesmo tempo reconhece o inacabado e o incompleto de qualquer conhecimento. 
      Assim, para a Gestalt-terapia o homem é reconhecido como um processo de vir a ser, está constantemente se (des)construindo e (re)significando sua existência, um homem holístico relacional e é no campo o lugar onde as relações se estabelecem, que ele dá sentido à sua existência. Esta perspectiva relaciona-se à visão holística de homem, pois considera que há interação contínua entre os vários níveis que compõem um dado campo, uma vez que o homem é um ser de relação e produto das representações do seu campo vital. 
      Deste modo, para nós pensar gestalticamente é nos inserirmos num campo de relações aonde as dualidades são desconstruídas, as certezas colocadas em dúvidas e os pensamentos transformados em ações, as reflexões transformadas em construções de conhecimento, o compartimentado em integrado e o acabado em inacabado, para que assim possamos todos os dias abrir novas gestalten e crescermos em contato com o novo. 

      Prof.ª Msc. Kamilly Vale